16.3.12

A Sombra do Vento

Um romance de Carlos Ruiz Zafón.

Às vezes as coisas organizam-se de modo a que nos caia no colo um livro destes. Memorável!

Carlos Ruiz Zafón é um romancista nascido em Barcelona e não é nenhum estreante. Autor de outros romances editados com largo sucesso e uma colecção de prémios que é uma boa legenda para o seu talento. Pelo que apurei, o seu seu último romance, "O Jogo do Anjo", já atingiu a espantosa marca de um milhão de exemplares vendidos em Espanha (aproximadamente 1 livro vendido por cada 40 espanhóis!).

15.3.12

Quinta dos Sonhos...

Visita à Quinta da Regaleira, em Sintra.
clique aqui para aceder à foto-reportagem

No passado fim-de-semana visitei pela terceira vez a Quinta da Regaleira, em Sintra. Não vou arriscar uma descrição porque podem tê-la (e muito bem feita) em www.regaleira.pt. Queria apenas dizer-vos que, se acaso duvidam de que existem sítios mágicos, daqueles que nos contam histórias sem palavras, que nos enchem com as suas luzes e as suas sombras, então vão lá espreitar.

 
Numa tarde de um dia ameno (desaconselhável em Agosto e com muito frio ou chuva), leve as crianças e prepare-se para 3 horas de visita a um universo paralelo, mandado construir no início do séc. XX pelo enigmático Monteiro dos Milhões, idealizado pelo genial Manini (também foi o autor do Hotel do Buçaco, que também recomendo e do qual também tenho uma fantástica foto reportatgem que talvez publique aqui!). Um universo cheio de segundos sentidos, de mistérios, de sussurros... coisas inexplicáveis ou levemente compreensíveis (como o Poço Iniciático para onde descem 27 metros de uma escadaria circular e assim se atinge o escuro da morte simbólica e depois se caminha em direcção ao renascimento que nos faz passar um fantástico lago com um misterioso caminho das pedras que só é possível percorrer se o caminho for iniciado com o pé direito...

20.2.12

LÍNGUAS DIFÍCEIS?

Ontem, no chat com o Helder, o meu colega e co-autor deste ARTE CERTA veio à baila um tema que conheço há muito tempo pela minha formação académica.

O Helder mudou-se para a Austrália há mais de 20 anos o que quer dizer que teve que adoptar o inglês como "primeira língua". Hoje, escrevendo muito bem em português como podem ver nos seus posts "CRÓNICAS DO OUTRO LADO DO MUNDO", acha que o inglês é muito mais simples do que o português. É normal! Ele fala em inglês todos os dias...

E esse tema é o tal que é recorrente: Há línguas mais simples do que as outras? Há línguas mais fáceis do que as outras?

18.2.12

Como te chamas, cidade?

Visitei BANGKOK pela primeira vez em 1998. Gostei tanto que repeti a dose no ano imediatamente a seguir. Memória inesquecíveis que revigorei há dias ao assistir a um documentário na TV. E lembrei-me de meia dúzia de curiosidades que trouxe dessas viagens. Recordo-me de ter perguntado a um guia turístico que nos guiou no primeiro dia em Bangkok: - Quantos habitantes tem a cidade?
Com uma certa vergonha pela dúvida respondeu: - Ninguém tem bem a certeza, mas o número andará entre 7 e 12 milhões.

Hoje, consultando a WIKIPEDIA, fico a saber que tem 10.000.000 mas admito que, pelo que eu vi, ninguém tenha uma ideia muito aproximada do número.

Outra das curiosidades é sobre o seu nome. "Bangkok” é apenas uma espécie de abreviatura pois o seu nome verdadeiro (e completo!) é Krung-dēvamahānagara amararatanakosindra mahindrayudhyā mahātilakabhava navaratanarājadhānī purīramya utamarājanivēsana mahāsthāna amaravimāna avatārasthitya shakrasdattiya vishnukarmaprasiddhi, que, em português, poderia ser traduzido por: "A cidade dos anjos, a grande cidade, a cidade que é jóia eterna, a cidade inabalável do deus Indra, a grande capital do mundo ornada com nove preciosas gemas, a cidade feliz, Palácio Real enorme em abundância que se assemelha à morada celestial onde reina o deus reencarnado, uma cidade dada por Indra e construída por Vishnukam".
Bangkok figura por isso no GUINESS. Mas se isto vos parece uma chinesice (ou tailandice?) lembro-vos que a cidade mais conhecida por LA (que se escreve com duas letrinhas apenas!) e que toda a gente sabe que se chama LOS ANGELES se chamava, até há pouco tempo, Ciudad Real de Nuestra Señora de Los Angeles…

16.2.12

PÁSSARO CEGO

De Cabo Verde para Portugal.

Nancy Vieira, uma diva da música de Cabo-Verde, usualmente canta em crioulo.

Nascida na Guiné-Bissau e filha de pais caboverdianos, cresce em Cabo Verde onde edita o seu primeiro álbum "LUS". A sua música não é tradicional. Usa os alicerces da música do seu país e mistura-os com influências recebidas do Brasil e da América Central.

13.2.12

QUEM DIRIA?

Ironia com história.
 
  • em 1949 a maioria dos intelectuais acreditava que o comunismo salvaria a China
  • em 1969 os mesmos intelectuais acreditavam que a China (com a revolução cultural) salvaria o comunismo
  • em 1979 Den Xiao Ping percebeu que só o capitalismo salvaria a China
  • em 2009 o mundo inteiro percebeu que só a China poderá salvar o capitalismo.


Esta foi-me enviada por email pelo meu amigo J J Caetano. Obrigado.

11.2.12

Quero o Major Alvega de volta!

Para quem não saiba, o Major Jaime Eduardo de Cook e Alvega, um anglo-português herói e piloto-aviador da RAF (Royal Air Force) na Segunda Guerra Mundial era o máximo! Nos meus livros de quadradinhos, na década de 70, o Major Alvega limpava "boches" às dúzias. Mais do que uma vez o vi, com estes olhos que a terra há-de comer, a despachar um submarino alemão, só com as metralhadoras do seu Spitfire (as bombas já tinham acabado): mergulhava o seu avião nas águas do Mar do Norte, metralhava o inimigo submerso e, com infinita destreza, tirava o avião da água e voltava para os ares, de regresso a casa, algures na Grã-Bretanha.

Pois bem. Hoje fui espreitar o ARROZCATUM do amigo Zito Azevedo e deparei com um post que vos peço encarecidamente que leiam. Afinal a Alemanha não paga as dívidas? Ena pá!

Que saudades do Major Alvega!

Eis o link! http://arrozcatum.blogspot.com/2012/02/entrevista-que-o-historiador-albrecht.html

6.2.12

Sou feliz por ter nascido no tempo dos homens-rãs...

Quando vi o filme que apresento em baixo lembrei-me de, na minha aldolescência, ter lido "Sou feliz por ter nascido / No tempo dos homens-rãs / Que descem ao mar perdido / Na doçura das manhãs"... Um poema de António Gedeão e um video extraordinário. Sem mais comentários, uma bela dupla, literalmente...


2.2.12

Vincent

Van Gogh traduzido!

Bem, tudo começou porque, em conversa com alguém, me apercebi que a generalidade das pessoas que ouvem "Vincent", a fantástica balada de Don MCLean, não fazem a miníma ideia de que a canção é um inesquecível retrato de Vincent Willem van Gogh, o inigmático pintor holandes do séc. XIX, o mestre do impressionismo.

1.2.12

Uma surpresa sobre a Diva!


Ai, ai! Nem sei o que vos diga...

Eu sou um mediano admirador de Amália. Gosto mas não adoro! Reconheço-lhe as qualidades de cantora, os inegáveis créditos na renovação do fado (nas parcerias com os novos autores do seu tempo), a sua capacidade de se manter igual ao longo da sua longa carreira (com alguns "senãos" que no fim poderiam turvar a memória que hoje temos dela)...

26.1.12

DUETOS IMPROVÁVEIS!

OS MELHORES DUETOS DE SEMPRE?

Aqui ficam alguns dos duetos (musicais, claro) mais improváveis, mas também mais notáveis que conheço. Vou ter que ir actualizando isto. Se tiverem sugestões, serão bem vindas. Boa viagem!
Vejam os filmes aqui...

25.1.12

O Grande Ditador

Hoje, no facebook, alguns amigos adolescentes mostraram-se fascinados pela cena que agora vos peço que espreitem. Faz parte do filme O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940) e é um dos mais fantásticos discursos de sempre!

20.1.12

O MELHOR GOLO DO MUNDO!!!

Não sou um grande amante de futebol. Gosto de ver golos e, regra geral, há poucos no futebol que se joga hoje em dia nos estádios... Para além disso chateia-me os jeitos-de-estrela que as "estrelas do futebol" usam como farda habitual.

5.1.12

SONETOS DO VINICIUS...

Hoje caiu no meu colo uma oportunidade de rever os sonetos do VINICIUS DE MORAES. Surpreendentes, eruditos.  Brilhantes numas vezes, repletos de escuridão noutras...

Partilho aqui apenas três exemplos. Sentem-se e apertem os cintos...



Soneto do Corifeu

São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.

E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.

Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.

Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.




Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


 



Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor que tive:
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

30.4.11

VINICIUS DE MORAES

Nunca falei aqui de Vinicius de Moraes, o grande poeta da Bossa Nova, o "branco mais preto do brasil", como ele próprio dizia. Vinicius tem uma obra tremenda em quantidade e em qualidade, dispersa por vários modos de expressão, dividindo a criação com outros (a quem chamava carinhosamente de parceiros e que englobam tantos e tão bons como Chico Buarque, Tom Jodim e Edu Lobo).
Vinicius foi para mim uma benção: aprendi a tocar viola ao som das suas canções, do modo simples com que cantava. Aprendi a gostar de poesia ouvindo-o declarar textos fabulosos que falavam sempre da vida, quase sempre do amor e nunca dos maus sentimentos, nem das revoltas das almas, nem dos pecados dos outros...

Nem é preciso fazer um retrato de Vinicius. Basta, para quem não o "conheceu" ou para quem nunca se perdeu na sua obra, ler devagarinho o extraordinário auto-retrato que o Poeta faz no poema O HAVER que abaixo transcrevo.
Sarabá, Vinicius...


O Haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo:
— Perdoai! — eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia de simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano, ou essa súbita alegria
Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória...

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de sua inútil poesia e sua força inútil.

Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa tola capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
E transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
Na busca desesperada de alguma porta quem sabe inexistente
E essa coragem indizível diante do Grande Medo
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do próprio reino.

Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio
Pelo momento a vir, quando, emocionada
Ela virá me abrir a porta como uma velha amante
Sem saber que é a minha mais nova namorada.




Esta é a versão possivelmente final do poema "O HAVER" de Vinicius de Moraes, publicada no livro "O Melhor do Pasquim 1969/70", pág. 42. Outras versões anteriores são mais conhecidas mas, respeitando as "emendas" que o autor foi fazendo ao logno do tempo, publico esta com a devida vénia e respeito, relembrando Carlos Drumond de Andrade que sobre Vinicius dizia: "As gerações futuras julgarão o Poeta estética e não emocionalmente, como nós nunca conseguiremos fazê-lo."

20.4.11

ORAÇÃO A SANTO ANTÓNIO

E eu que não sou destas coisas, tenho que admitir que está extraordinária esta

ORAÇÃO A SANTO ANTÓNIO

Ó meu rico Santo António
Meu santinho Milagreiro
Vê se levas o Zé Sócrates
P'ra junto do Sá Carneiro

Se puderes faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso

16.4.11

Valsa brasileira...

Há dias tropecei num disco recente da Maria João (aquela do Jazz, sim!) com grandes canções do Brasil e, nele, uma versão fabulosa da incrível canção "VALSA BRASILEIRA". Para uma música de Edu Lobo, o Chico Buarque de Holanda escreveu para letra esta pérola:

30.3.11

M I S T Y

... uma canção extraordinária!
Pediram-me que fizesse uma versão do "M I S T Y" legendada. O prometido é devido: aqui está!

24.3.11

Poetas extraordinários...


Hoje, em conversa com um amigo, falávamos de alguns poetas extraordinários que são pouco conhecidos enquanto tal. Um deles, dos meus preferidos, é Chico Buarque de Holanda, sobejamente conhecido como cantor e músico.